Pular para o conteúdo principal

Hordas do Pandemônio. -- Conto Vampírico.




"Em algum ponto do futuro."

A criatura pulou sobre ele com tanta força que atravessaram uma parede de metal reforçado como se fosse feita de papelão. Ele caiu com o monstro sobre seu corpo tentando a todo custo cravar os dentes em seu pescoço, felizmente sua armadura tinha sido projetada para proteger todo o seu corpo, desde a cabeça até aos pés. Quando o caçador sentiu o impacto do solo sob suas costas não teve dúvidas, mesmo com a fúria do vampiro sobre si, permaneceu tão frio quanto se esperaria de uma máquina de guerra, e, segurando a arma de grosso calibre em sua mão esquerda, apertou o gatilho tantas vezes que quase perdeu as contas, mas não perdeu, foram doze disparos em menos de um segundo; a arma lançou projeteis prateados e luminosos capazes de abrir buracos em blindagens de qualquer carro de combate dos anos 2000 como se não passassem de alumínio fino.

Alguns dos disparos atingiram a criatura que saltou para traz gritando freneticamente sentindo sua pele pálida queimar, os olhos vermelhos brilhantes, os dentes longos e as garras prontas para derrubar um exército, mas sem saber que aquele caçador sozinho era muito mais do que um exército inteiro.
O vampiro correu sumindo ao fundo em um corredor escuro, e o caçador se levantou como um semi-deus que se erguia de seu sono, à mão esquerda continuava segurando a arma desenvolvida unicamente com a finalidade de varrer as criaturas das sombras de sobre a face da terra; em um coldre na coxa direita, outra arma, gêmea da primeira; projetada com o mesmo propósito e ambas disparavam projeteis explosivos e luminosos ao mesmo tempo; capazes de ferir e atordoar mesmo vampiros com relativa idade.
O caçador não pretendia sair daquele lugar sinistro até estourar a cabeça daquela criatura e coletar algumas amostras do monstro para serem analisadas, mas tinha consciência de que não seria assim tão fácil, porque segundo as pesquisas feitas pela inteligência central, a criatura se tratava de um Nosferatu de nível dez, ou seja, era um vampiro com pouco mais de quatrocentos anos de existência.
Uma voz soou em seus ouvidos. Era uma mensagem em tempo real da inteligência central, uma organização bélico-tecnológica voltada a erradicação completa dos vampiros que foi fundada no ano de 3030 por alguns sobreviventes da aniquilação feita pelos vampiros sobre a raça humana. A aniquilação ficou conhecida entro os homens como "A Era da Pandemônio", e foi um período de cem anos em que vampiros de todas as partes do planeta, liderados pelos mais antigos, conhecidos como "Os antediluvianos", constituíram uma aliança e atacaram todas as grande cidades da terra, matando bilhões em todo o globo. Até entender exatamente o que estava acontecendo os humanos foram dizimados e os que não morreram ou não foram transformados em vampiros, acabaram tentando se reorganizar e fugir para viver escondidos em cidades menores ou se juntaram à resistência humana; uma organização militar derivada dos destroços que restaram da antiga Aliança do Tratado Militar do Atlântico Norte, a OTAN, juntamente com os restos das forças armadas de diversos outros países, incluindo o Brasil, os sobreviventes de grandes corporações como com NASA, e alguns remanescentes da igreja católica, assim como outras organizações remanescentes.
Neste contexto a união de todos os citados acima juntamente com algumas organizações menores dá início ao movimento de resistência da humanidade que por sua vez se divide em dois braços trabalhando juntos para recuperar as grandes capitais do planeta; um deles é a "Inteligência Central" e o outro é a "Tropa dos Serafins", um exército de homens e mulheres, os melhores do mundo, treinados e armados com alta tecnologia para recolher dados, caçar e exterminar o máximo de vampiros possível de modo a tentar enfraquecer as grandes capitais vampíricas do planeta como São Paulo, Nova Iorque, Londres, Paris, Tokyo, Berlim, Roma, Jerusalém, Moscou e tantas outras.
 A voz que se comunicava com o caçador era uma voz feminina, que perguntou:
_Você está bem número 3100?
O caçador colocou a arma que tinha na mão em outro coldre na coxa esquerda e respondeu:

_ Ele é mais forte do que imaginamos Ellia.

Ellia, era na verdade como os membros da Tropa dos Serafins da Inteligência Central chamavam E.L.L.I.A; que significa Enviroment Logical Linked by Inteligence Artificial, ou numa tradução livre, Ambiente Lógico Ligado por Inteligencia Artificial, ou A.L.L.I.A, em português; uma poderosa inteligência artificial composta por várias mentes virtuais criadas a partir da união de milhares de ultra-computadores espalhados em diversos países, e até mesmo na órbita do planeta, que combinados criaram uma rede de informações em tempo real de alcance global muito superior a qualquer coisa que a humanidade já criou antes.
 Ela disse:
_Sua armadura não está reportando nenhuma falha grave, mas possui pouca energia, precisamente 25%, além disso, temos novas ordens, você já está aí dentro faz mais de doze horas, o sol já se pôs e você tem que sair desse lugar agora. Sua caçada terminou por hoje.

O caçador permaneceu ereto enquanto ativava algo tocando em um pequenino sensor telemétrico na base de sua nuca por trás do capacete, e disse:

_ Não vou sair daqui até encontrar aquele vampiro e estourar a cabeça dele. Além do mais, precisamos de mais amostras para estudo.

_ Mas esse ninho é enorme, nossa varredura mostra que os andares inferiores são verdadeiros labirintos. _protestou Ellia.

O caçador ouviu algo vindo pelo corredor do lado oposto de onde o vampiro havia fugido. Todos os sons eram amplificados por nano-receptores extremamente sensíveis dentro de seu capacete. 

Ellia disse pelo comunicador:

_ Ouvi isso, estou detectando outros descendo pelo túnel, não consigo vê-los no detector de calor, são vampiros também.

_ Quantos são? _ perguntou o caçador.

_ Não sei ao certo, mas são muitos, mais de cem. Uma horda inteira, com certeza.

Com a frieza de sempre ele disse:

_Então vou descer pra eliminar o mestre deles.

O protesto foi ainda mais veemente:

_ Ficou louco Serafim, não ouviu o que eu disse? Seu traje está com pouca energia, já é noite lá fora e isso significa que eles estão com toda a força sobrenatural que possuem a disposição, além disso, você não sabe se esse ninho de vampiros possui um único mestre ou se é uma congregação. E mais, se você for mais fundo vamos perder o contato, a central de sobrevivência do seu traje vai cortar a comunicação para direcionar a energia restante para os mecanismo de combate extremo. Ou seja, você vai estar lá completamente sozinho, sem a ajuda da nossa telemetria. Não vou poder ver nem sentir você.


_Eu sei._ disse o caçador. _ Essas criaturas fazem seus ninhos e congregações longe da superfície para permanecer distante de todas as redes virtuneurais da Inteligência Central.

De repente um vampiro surgiu vindo pelo túnel e saltou sobre o caçador, era um homem magro, com roupas em farrapos, feições animalescas, sujo de sangue escuro, mas muito ágil; em seguida outro apareceu, e outro, e mais outros dois; em poucos segundos o lugar estava repleto de vampiros, homens e mulheres, uma multidão de monstros que mais parecia ter saído diretamente do inferno, todos querendo beber o sangue do caçador que sacou de suas duas armas e disparou como se fosse uma máquina de batalha. Várias criaturas foram perfuradas muitas vezes e ao mesmo tempo eram arremessadas contra as paredes do lugar, havia sangue por todo lado, mas continuavam surgindo mais e mais vampiros sem parar; era possível ouvir os urros e gritos dos monstros sendo mutilados ecoando juntamente com o som dos disparos e explosões.

O caçador correu para o mesmo túnel por onde o primeiro vampiro havia fugido; estava completamente escuro e imediatamente o traje de batalha acionou o modo de visão nas sombras, outros vampiros ainda corriam pelo túnel, sedentos por sangue, seguindo o invasor.  Todo o lugar era realmente um labirinto, havia túneis cortando outros túneis em todas as direções e todos na mais completa escuridão, o caçador ouvia algumas vozes e sussurros, mas como estava correndo não poderia se deter para averiguar. Vez por outra ele parava virava para trás e atirava quase que insanamente, várias vezes, derrubando alguns vampiros e atordoando outros que vinham logo atrás dele, mas logo uma multidão tomava o lugar dos que haviam caído. Alguns minutos depois o caçador sumiu do monitoramento, estava fora de alcance e sozinho em meio aquele pandemônio; só um milagre poderia fazê-lo voltar a salvo. 

Comentários

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens mais visitadas deste blog

Dica para escritores iniciantes: 7 Perguntas para criar seu personagem principal

A criação de um personagem principal exige atenção redobrada do escritor ao desenvolver sua trama, a ponto de muitas vezes um personagem ser capaz de segurar os leitores mesmo quando uma trama não é tão boa assim. Muitos autores acham que escrever um livro é simplesmente contar um relato em que um determinado personagem faz as coisas e pronto, mas isso não costuma funcionar e tem como resultado livros que não conseguem atingir seus leitores da forma correta. Escritores que pensam deste modo costuma apresentar em seus livros personagens sem muita profundidade ou carisma e isso é a fórmula para que seu livro fracasse. A magia de um livro bem escrito passa pela técnica da verossimilhança e no desenvolvimento de seu personagem principal, sobretudo, não é diferente. Mas o que seria isso, verossimilhança? Muito simples. Verossimilhança é a arte de tornar seu personagem o mais próximo possível da realidade a ponto de realidade e ficção se confundirem. Alguns autores famosos ou anônim...

Escritores não estudam gramática. -- Dicas para escritores iniciantes

Na primeira vez que me deparei com esse conceito achei que não fazia sentido, mas a verdade, por mais estranho que possa parecer, é que grandes escritores não estudam gramática, eles se preocupam muito pouco em escrever perfeitamente ou de maneira erudita, respeitando e seguindo todas as regras gramaticais; isso acontece porque eles entendem que precisam usar seu tempo e energia para desenvolver algo que para eles é muito mais importante e relevante do que a gramática. E o que seria isso? A própria escrita.   Escritores estudam escrita . Professores e linguistas estudam a gramática; e por mais que exista uma proximidade entre eles, na medida em que ambos manuseiam as letras e as palavras de alguma forma, a arte do escritor não está em conhecer profundamente o seu idioma, mas sim em saber como usá-lo de maneira eficiente para contar uma história, quer seja de ficção ou não; que seja cativante e envolvente; ou transmitir informações caso escreva sobre temas técnicos. Esc...

Matéria escura -- Conto

A mulher envolta numa toga preta estava deitada sobre um altar em formato retangular; ela estava presa com correntes de ferro frio pelas mãos e pelos pés; ao redor do altar que ficava no centro de um grande salão sombrio iluminado por milhares de velas estava um grupo de homens cobertos por túnicas negras cujos capuzes cobriam suas cabeças de modo que as sombras escondiam seus rostos. Todos os presentes naquele local faziam parte de uma irmandade cujo objetivo era convocar uma das mais antigas forças do universo com a finalidade de tentar estudá-la e controlá-la para seu uso particular, tornando-os assim a irmandade mais forte andando sobre a face da terra. Aquele grupo havia pesquisado durante décadas uma forma de tentar concentrar alguns elementos capazes de trazer até eles a criatura que sabiam que existia, mas nunca chegaram perto o suficiente para ver. As velas queimavam quase que uniformemente, a luz e o calor produzidos eram parte do ritual; cada um dos homens present...