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A Aparição -- Conto


A espada brilhou pálida quando tocou a luz refletindo como se dela emanasse claridade, as pessoas não sabiam ao certo o que estava ocorrendo. Um dos reféns não estava com a cabeça posta contra o solo e mesmo na escuridão rompida apenas por filetes de luz que vinham dos postes do lado de fora do lugar pode ver quando mais uma pessoa se apresentou sorrateira como uma sombra e rápida como o vento.
A polícia não sabia ao certo o que tinha acontecido dentro da casa e a tensão inundava o coração de todos.
_ Já fazem mais de seis horas que oito pessoas são mantidas como reféns de um grupo; não pediram nada e a polícia só foi chamada porque vizinhos desconfiaram e os acionaram.
 Diziam os repórteres ao vivo sem mais nenhuma informação ou com pouca e desencontrada.
As negociações estavam sendo conduzidas sem muito êxito, porém logo que a noite caiu foram interrompidas por parte dos que estavam mantendo as pessoas cativas.
Ninguém percebeu que o céu noturno permanecia estrelado como poucas vezes naquela época do ano, entretanto todos lembram do vento que surgiu descendo a rua como um fenômeno estranho e sobrenatural que soprando intensamente se desfez após distrair a atenção de bandidos e policias por quase um minuto, em seguida tudo se acalmou como se nada houvesse ocorrido.
De repente as luzes da casa se apagaram e antes que houvesse algum tipo de discernimento por parte dos três sequestradores ouviu-se os movimentos de mais uma pessoa, tão rápido que dois deles tombaram
primeiro com um baque surdo após um movimento do que parecia ser uma lâmina que reluziu por uma fração de segundos; os reféns com os rostos contra o chão não sabiam o que estava acontecendo e apenas torciam para que nenhum mal fosse feito a ninguém.
Um vulto passou pela janela parcialmente coberta pelas cortinas, mas a silhueta vista foi o suficiente para encher de medo tanto ao bandido que restava sem saber como proceder, como o homem que deitado acompanhava o desenrolar dos fatos mesmo na escuridão. O vulto parecia usar uma capa longa e esvoaçaste, totalmente envolto em trajes negros vagava de um lado para o outro da sala como se estivesse a procura de mais alguém, trazia na mão direita um instrumento que lembrava uma espada longa, não era possível ver seu rosto pois parecia estar protegido por algum tipo de capacete, mas era mais como um elmo usado em épocas medievais.
_Só posso estar sonhando, isso não é um homem. O que será isso? Como entrou aqui? Ou então fiquei louco! _Pensava a testemunha ocular.
O terceiro bandido havia se deitado no chão e mantinha sua arma em punho passando-se por refém, pois na mais completa escuridão quem o identificaria? Mas aquele outro ser passeava e parecia flutuar pela sala como se estivesse nervoso pelo tempo que se esgota.
A impaciência da policia já os tinha colocado em posição, iriam invadir para não arriscar perder vidas de forma desnecessária quando um deles viu a figura surgindo na janela rapidamente; “o que é aquilo?” pensou os que o viram; embora seu rosto não tivesse sido bem visto por ninguém; algo bem conhecido de todos inclusive dos bandidos fora vista fazendo parte dos trajes daquele estranho. Por um instante pensaram que o desconhecido estivesse usando uma espécie de armadura.
O bandido levantou-se devagar ao ver a forma “medonha” posicionada na janela e com a arma em punho atirou como pode descarregando todo o tambor;
A polícia entrou com seus agentes gritando e ordenando que todos ficassem abaixados, não havia mais nada a ser feito quando os primeiros disparos se ouviram, mas a escuridão servia como camuflagem para o sequestrador e ninguém sabia de onde partiam os tiros.
Alguns policiais dispararam contra a escuridão e em menos tempo que uma das mulheres presentes feitas como refém gritasse aconteceu algo que mudou a vida de todos para sempre; as pessoas que não foram dominadas pelo medo e ergueram a cabeça em meio a todo aquele inferno de balas cortando o ar viram quando o que parecia ser uma capa levantou-se e por segundos pareceu ser uma asa e a figura que as tinha desapareceu, em seguida um clarão como um flash de luz azulada piscou e o grito foi ouvido e sentido por todos. Algumas pessoas sentiram também o vento sendo cortado por mais alguma coisa que se movia zunindo sobre suas cabeças.
 Por fim a luz retornou; os policiais atônitos sem saber como tudo aquilo aconteceu, horrorizados quando puderam ver que um homem estava preso na parede por uma espada larga parecida com aquela dos filmes medievais cujo cabo ostentava o formato de uma cruz que atravessara-lhe o ombro, em sua mão ainda pendia presa ao dedo a arma com a qual horas antes ameaçara as pessoas que ali estavam e em outro canto outros dois desacordados.
A mente costuma pregar peças nas pessoas, porém não naquela noite, graças a Deus nenhuma pessoa se perdeu e os policiais ao procurarem por vestígios do estranho visitante acharam somente duas ou três alvas penas.

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